"Las apacibles calles del barrio se convirtieron en gritos, abrazos y mucho mucho llanto y dolor."
(Adaptado de La Patria, sobre deslizamento em Manizales)
Pouco antes das 7 da manhã de ontem, enquanto eu dormia tranquila na minha cama, uma nova tragédia acometia o povo de Manizales. Em um bairro chamado Cervantes a terra cedeu, levando casas, ruas e pessoas. O inverno colombiano trouxe as chuvas que, junto com uma série de fatores adicionais, provocaram o desastre de ontem. Alguns falam que um vazamento de um dos aquedutos da cidade é responsável pelo desabamento, mas até agora não li nenhuma notícia oficial sobre. Nem acredito que eu leia porque a questão do abastecimento de água já tá complicada o bastante pra eles permitirem que saia qualquer notícia prejudicando ainda mais a imagem.
Há alguns dias o abastecimento de água da cidade volta, aos poucos, depois de duas semanas. A falta de água gerou um sentimento de união entre os Manizaleños e o que aconteceu ontem contribuiu pro sentimento de comoção geral. Nas ruas o assunto é esse. Os noticiários o exploram até a última gota. Mas, pra mim, a cena que marcou o acontecimento eu presenciei ontem na hora do almoço. Em Manizales existe uma coisa chamada "minutos" que consiste basicamente em uma pessoa que vende minutos no celular. Na porta da loja onde eu estava tinha um desses vendedores, e uma senhora chegou pedindo pra usar o celular. O dono da loja, que tava me atualizando dos acontecimentos, acenou com a cabeça e a cumprimentou. Escutei um choro baixinho e olhei pra fora pra ver o que estava acontecendo e lá estava ela sentada na soleira, lamentando a morte de alguém que estava nos escombros. E a imagem que eu vi em seguida, na minha opinião, reflete a beleza do povo dessa cidade. O senhor dos minutos, sem saber o que fazer, sem intimidade, se aproximou e sentou ao lado dela. E lá ficou por uns minutos, sem falar nada. Mas eu sabia que ali, naquele momento, ele sofreu um pouquinho com ela.
Nessas horas a única coisa que eu vejo ao meu alcance é rezar e pedir a um ser superior, seja qual for o nome dele, por essas pessoas que estão passando por um tempo tão difícil.
Lembrei da minha cidade. Da minha Belo Horizonte. Tão sensível às chuvas de verão. Tão inundável. Tão derrubável. Lembrei de como as pessoas se tornam unidas nesses momentos e do verão, que vem chegando...
Cervantes antes do deslizamento. (Fonte: La Patria)
Cervantes depois do deslizamento. (Fonte: La Patria)
(Fonte: La Patria)
Título do post: Súplica Cearense - Luíz Gonzaga [Na versão do Rappa que é linda!]



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